A mencionada velocidade do mundo é relativa. Uma raulseixisse: eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes. Não que eu tenha mudado de idéia. É que tudo muda bem depressa, mas algumas atitudes não. Tanta evolução e ainda se destrói o mundo. A Química moderna de Boyle é do séc. XVI. Ou seja, 400 anos em 4,5 bilhões é apenas a décima parte de um milionésimo da idade do planeta. Eis a grande esperança. A Terra já foi líquida e hoje você vive, existe e lê. Talvez haja uma saída. Saída pro recreio. Tocava o sinal. Sons elétricos infindáveis até a quase rouquidão da campainha – bééééééééééééééééééééééééééééeééééiiiinnnn - eram música aos pequenos ouvidos. Era hora do lanche, que hora tão feliz, se você sabe completar, então diz. Momento das paqueras, das correrias, do futebol com bola de papel, da ausência da aula. Lá no Silva Jardim as carteiras eram duplas, sentávamos dois a dois. Eu sentava ao lado da Rosely, uma menina mais velha, ou menos nova. Ficou sem estudar uns tempos, nem me lembro o motivo. Seios da face suaves e róseos feito pétala, lábios pintados carnudos, olhos de lazulita, brilho vítreo azul-violeta. Era linda e ela me escolheu. Chegou depois de todos e pediu pra sentar do meu lado. Meio surpreso, orgulhoso e boquiaberto, consenti. Ficamos fãs um do outro, ou outra do um, uma do outro, como queiram. Os olhares mortais de fogo dos colegas estavam claros e vívidos. Quando mexiam com minha parceira eu partia pra cima, mas eles tinham mais medo dela do que de mim, que era mais madura e dizia coisas que os pirralhos não estavam acostumados a ouvir das moças. Ficamos juntos até o fim daquele ano, quando tivemos que nos despedir porque ela ia mudar de novo pra bem longe. Chorou tantas lágrimas que seu narizinho de Jeannie é um Gênio ficou todo vermelho e eu sofri um bocado. Como também eu era um mutante contumaz, sabia que tinha que me acostumar com despedidas. As tristezas eu deixava no pátio, nas brincadeiras e brigas. Volta do recreio e a professora Nilze vinha com a aritmética e depois o português, desfilando suas letras redondinhas. Também rezávamos com as palmas das mãos juntas e tudo. Quando ela entrava na sala, todos tinham que levantar com as duas mãos pra trás. Fazia ainda uma rápida, mas minuciosa revista e dava o sinal para sentarmos. Era daquelas que impunha respeito. Mesmo na rua, um dia voltando pra casa, fui surpreendido por ela que vinha no sentido contrário. Trazia minha japona pendurada nas costas segurada por um dedo no ombro. Ela parou e pigarreou. Hã, hã, como é que se leva a blusa? No que imediatamente a tirei do ombro e a coloquei pendurada no braço postado na altura da barriga. Ah, bom, agora sim. Continuei assim, olhei pra trás e ela também, só pra conferir. Dobrei a esquina e voltei ao ombro mas, mesmo assim, olhava pra trás de vez em quando pra ver se ela viria. Nóia de menino. Richie Heavens, Ravi Shankar, Joan Baez, Santana, Janes Joplin, Grateful Dead, Creedance, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker, Ten Years After, Johnny Winter, Paul Butterfield, Jimi Hendrix cantaram e tocaram no Festival de Woodstock para meio milhão de pessoas amontoadas em uma fazenda. Ao contrário das previsões, só houve dois mortos, um por overdose e outro atropelado por um trator enquanto dormia no campo. Entre um e outro reggae pensava na Regiane, colega de olhos verdes, pele morena e lábios grossos em proporção com seu rosto fino. Pisquei pra ela no recreio e seu olhar maroto denunciou sua velada satisfação. Em meio aos devaneios paquerísticos avistei o Cica, apelido hipocorístico de cicatriz causada por tiro de revólver. Não era aluno. Só ia lá para encontrar outros carinhas. Era, de longe, o menino mais perigoso do bairro e amigo do Jair e do Cabeludo. Deparamo-nos encarando um ao outro, sem que nenhum tirasse o olho. Ninguém piscou, nem parou, nem falou um “a”. Melhor assim. Melhor pra mim, que segui meu caminho agora sem olhar pra trás, mas acho que ele deve ter olhado. Foi um alívio não tê-lo visto mais naquele dia. Surpreendentemente fui pra casa sem problemas. Quando cheguei comi pão com manteiga e pasta de doce de abóbora.
Armstrong e Aldrin estavam por pisar na Lua e Ho Chi Minh por deixar o mundo. Mas “aquele que ilumina” não desceu a terra, como sói a um mortal normal. Ao invés, um mausoléu. Mudemos de pato pra ganso. Mudamos do Jaçanã para o Tucuruvi. Trocamos o pássaro pelo gafanhoto. Tucuruvi – olha o tupi aí – significa gafanhoto verde (tucur-oby). Tem quem diga que é corruptela de itaguarovy (taquara verde), mas fico com o gafanhoto. Aqui um parênteses. A etimologia assemelha-se a uma pessoa: tenta buscar lá longe nos tempos idos, na infância da linguística, alguma palavra perdida que os anos desgastaram, mas que contribuíram para a formação atual. Uma e outra, no entanto, dependem de pesquisa, que não há memória suficiente que dê conta de saber sobre todos os camaleônicos vocábulos ou fatos. Assim é que muitas vezes tenho que contar com pai, mãe, irmão ou tio a chacoalharem minhas lembranças. Senão seria assim, como na palavra manequim, cuja reconstituição de um falso etimólogo, teria uma origem anglo-lusitana ou luso-britânica dando conta de que tal palavra teria em seus primórdios a definição de certo rei que nem sequer olhava aos seus súditos, de queixo erguido e mãos paradas no ar, por certo um dos dons manuéis – Manuel King, que evoluiria para Mané quim. Enfim, não há certeza absoluta, nem da formação das palavras - que ao verem destrinchadas suas histórias se deparam com termos como: segundo o autor x, ao contrário do autor y - nem das peripécias das vidas de pessoas, tenham elas nomes como Álvaro, Alberto ou Ricardo ou sobrenomes como Caeiro, de Campos ou Reis. Se nos dias de hoje nada mais mentiroso que um reality show, imagine nos dias de ontem! Se a morada cantada por Adoniran tinha lá suas tradições, o novo bairro também. Onde hoje tem a estação do metrô Tucuruvi era a estação Cantareira do mesmo trem do Jaçanã. Os trilhos estavam então recém encobertos por asfalto e obras. Tinha a Rua Bonita só de terra, argila e mato por onde – diziam – passavam os trens e ficavam os trilhos. A rua ficava atrás do Silva Jardim, minha nova escola, na qual chegava de avental branco, primeiro com o desenho do verdíssimo gafanhoto no bolso, depois com o vulcão Vesúvio vermelho e amarelo que tragou o abolicionista, republicano e doador do nome àquela instituição pública. Se veio do pó, à lava se foi. A argila branca da Rua Bonita era um destino imperdível pra travessuras e a matéria prima pra muitas esculturas indecifráveis a olhos leigos. Mas sabíamos muito bem o que fazíamos. O barro impregnava e ressecava a pele deixando-nos parecidos com caras pálidas. Bom mesmo era pisar na massa úmida, deixar que ela passasse por entre os dedos dos pés de baixo pra cima. Era refrescante e dava mais energia pra enfrentar os outros curumins no bate-bola de chão batido, áspero feito lixa. Ninguém saía de um jogo desses sem a perda de um tampão de dedo ou de uma unha, mas quem ligava pra isso? Nossa casa ficava na Rua Ponte Pensa, entre o Tucuruvi e a Parada Inglesa, que era a estação mais além e que hoje também é estação de metrô. Infelizmente perdemos o trem por muito pouco tempo. Interessante que moramos lá entre o trilho antigo de superfície e o moderno subterrâneo sem conviver com nenhum deles. Mas ainda sentia o cheiro – eu e meus cheiros – do trem antigo. Sua energia ainda estava lá. A casa era bem maior, um sobrado ao contrário, ou seja, quem a via da rua pensava que era térrea, mas não. Passando o portão pequeno de ferro, que sempre rangia, tinha uma escada comprida do lado direito que descia por um corredor e dava acesso ao quintal, à sala e à cozinha. Os Cômodos eram grandes. Uma escada interna levava aos dois quartos e banheiro. O nosso quarto dava pra uma pequena varanda em frente ao rangente portão da rua. Fechado o circuito. Aí passamos longos e divertidos oito anos, cujas peripécias já vêm por aí. O caminho entre a casa e a escola era bem mais longo que no Jaçanã. Entrávamos à direita na Álvaro Machado Pedrosa, subíamos até a Av. Tucuruvi à esquerda, mais trezentos metros e pronto. Ainda inocente que era, demorou um pouco pra perceber que eu e meus irmãos não fomos muito bem aceitos como novos vizinhos. Mais seguros nas terras de Piratininga, achávamos que faríamos amizade facilmente. Ledo engano. Os rachas de bola eram mais ríspidos quando pedíamos pra jogar. Os meninos do lugar cochichavam à distância olhando cinicamente pra nós. As insinuações viraram ameaças e estas acabaram em brigas intermináveis. Tanto o caminho de ida pra escola quanto a permanência nela e a volta eram desafiadores. Não bastasse isso, ainda havia a rua com suas disputas naturais. Talvez tenha sido esse novo mundo belicoso o gerador de certo caráter competitivo incutido na gente. Mas ainda éramos crianças e os perigos eram pouco evitados, às vezes até mesmo procurados com certa excitação, tal qual o menino de pijama listrado que morreu no campo de concentração. Nessa fase correm-se mais riscos, simplesmente porque não se acredita no azar. Não há barreiras intransponíveis. Não há injustiças nem tantas diferenças entre as pequenas cabeças - essas ficam para os grandes homens. Criança só tem vontade de se conhecer, de perscrutar o outro, de se divertir, enfim, de viver. Mas algo iria virar. E o João se encantava com suas pipas ou papagaios ou quadrados, que sempre tinha. Raias, que eram do tipo sem rabiola, peixinhos, em forma de losango, o maranhão com cabeça em forma de pentágono, que era o maior e o senhor do céu. Quando não, caprichava uma capuxeta que - muito me espanta - não consta nos grandes dicionários. Então, pra quem não sabe, capuxeta – acho que é com xis – era um papagaio meio assim assim, improvisado, feito de jornal, não de folhas de seda coloridas como os outros. Fazia-se desse jeito: cada ângulo reto das extremidades opostas de um quadrado daqueles inúteis papéis de notícias, ou de classificados, ou de propagandas eram ligados por nós, nas pontas de um pedaço de linha. A rabiola era uma corrente com cada elo feito de tiras também de jornal coladas nas pontas com cola de farinha de trigo e água, que era a liga dos papagaios por excelência, Tudo pronto e lá vai a capuxeta, solene sob o sol, com suas letras ao léu, em contraste com o distante azul, até ficar presa em um fio de rua. Motivo de xingamentos e raiva com cara vermelha e tudo do João. Lá vem o Jair, um menino alto, esguio e completamente afro-descendente, de olho torto e arregalado e outro moleque branquelo, cabeludo tipo roqueiro que parecia mudo – nunca ouvi sua voz. Era mau sinal. Cheiro de encrenca. Já sabíamos das suas intenções. Eis que o cabeludo, sem dizer palavra, joga uma pedra na capuxeta do João que faz um rombo digno de perda total. Ele ainda estava dando soquinhos com a linha, tentando tirar o brinquedo e póc, foi o fim. Igualmente sem dizer nada, jogou a lata de linha no chão, pegou a cabeleira do cabeludo, torceu, derrubou-o no chão, subiu em cima dele e começou a bater. E o tempo da ação demorou o mesmo tempo da sua leitura da frase. O Jair tentou intervir, mas eu, que já estava por aqui daqueles dois, entrei na frente já com os punhos fechados na frente do queixo. Os dele, também armados, mostravam um grande anel prata, que nunca me esqueço, tinha forma de caveira e luzia ao sol. Mas não chegou a usá-los, porque, provavelmente pelo teor de adrenalina correndo em meu corpo, num movimento rápido, desfiz minha posição, joguei minha mão fechada pra trás, para voltar com toda a força da direita para a esquerda, acertando em cheio a orelha do tal que de imediato mostrou um veio de sangue. Atônito pela bordoada e pelo inesperado, pra minha surpresa e alívio, não esboçou reação e bateu em retirada no exato instante em que o Seu Chico do bar da esquina tirava o João de cima do cabeludo mudo, que foi embora meio torto e quieto. Jair saiu com a mão em forma de concha sobre a orelha e o outro não disse um ai. Comemoramos como infantes a primeira batalha de uma guerra que se esboçava. O mundo voava veloz e rispidamente. O concorde fazia seu primeiro vôo em meio à Guerra Colonial de então. Ares de liberdade sopravam e soavam vozes d´África. Vão se findando os impérios oficiais.
A ansiedade, ao contrário da anciã idade, pega o moleque querendo crescer, querendo correr as letras, ácaros, palavras, mofos e páginas até o FIM! Cuidado, volte rápido antes da contracapa cinza e retome o tempo, o ar, agora com fôlego, com-pas-sa-da-men-te. Não queira chegar logo naquele tal episódio, naquela situação inusitada, que depois há um gosto de “foi-se”. Voltando aqui com meus oito anos de aventuras frescas quero crescer sim, mas ainda vivo o presente como uma guloseima farta saboreada a cada abocanhada. O mistério por trás das saias das meninas. A ternura do carinho materno. A alegria da ralação de pele nos corre-corres. Mesmo sem verbo, as frases versam por si só. A dita liberdade de expressão, dizia-se, estava em baixa. Pensando bem, ela nunca existiu em sua plenitude. Ela nunca houve. O que há são várias formas de controlá-la. O que é que há? O diabo e o quiabo escorregam juntos, cada qual na proporção da sua viscosidade. Ah, aqueles tempos! Hora de melhor conhecer o mar. O mar, quando quebra na praia, é bonito, bonito. Não é plágio, empréstimo. Mais uma vez caí-me na areia. E o Dorival com sua roupa e cabelos cor-de-espuma era quase parte daquela imensidão. Foi em Itanhaém. Também naquele dia não fazia sol e a água era fria, fria. Tal qual na primeira visita com meu pai, o mar era alegria e angústia. Sumia no horizonte, parecendo querer nos levar a cada retorno das ondas. Chovia fino e ventava muito. Minha mãe era só atenção com a cria. Nada de ir mais longe que a cintura. O tio Luis nadava sem parar nas ondas distantes e imensas. Sumia atrás de cristas e subia em outras. A mãe só dizia: - Meu Deus, esse Luis Júlio é louco! As conchas e areias eram mais seguras e também divertidas. E aí veio uma triste notícia. Pessoas faziam roda em torno de um náufrago, morto. Minha mãe quase morreu junto, do coração. Não, não era o tio, e sim um desconhecido. Estava com amigos que se abraçavam de tristeza. Tristeza que tomou posse de toda a praia. O pai entrou logo no mar e gritou muito pro tio Luis poder escutar e voltar rápido. Voltamos pra casa cabisbaixos. Isso me valeu o enorme respeito que tenho pelo mar até hoje. Não posso deixar de relatar três experiências que tive quando adulto, duas com o gigante salgado e outra numa cachoeira. A primeira foi em Maresias, Ilha de Tok tok Pequeno. Parece com uma tartaruga esculpida em pedra. Tok tok é tartaruga em tupi, o que confirma a tradição indígena da objetividade nos topônimos. Estávamos num pequeno barco ao redor da ilha, todos de colete salva-vidas. Da família tinha o Zé e o Vinícius, meu filho, que então tinha pouco menos da minha idade nessa altura do texto. O Vi desde pequeno adora nadar. Descemos do barco e nadamos poucos metros até as pedras que pareciam fáceis de serem superadas. Já bem próximos, reparei na enorme quantidade de ouriços rodeando a ilha, incrustados nas rochas. Com o suave embalo de uma pequena onda “pousamos” mais adentro, onde não havia ouriços. Admiramos a paisagem por um tempo até que uma onda absurda vinda não se sabe de onde, cobriu quase toda a pequena ilha. Ainda deu tempo de eu agarrar o Vinícius, mas só. Fui rolando com ele abraçado ao bel prazer da onda doida, me ralando e furando a pele nos infindáveis espinhos dos ouriços. Quando veio a calmaria, me apoiei em uma rocha e literalmente arremessei o Vi na direção do Zé, que já vinha ao nosso socorro. Ambos nadaram de volta ao barco. Só voltei depois de tomar certo fôlego. Quando sentei no barco, o chão que era branco ficou tinto de puro sangue. O Vi escapou ileso, por que ficou protegido por mim e pelo colete. Seis meses depois, ainda saiu um espinho de ouriço da minha barriga. A segunda vez foi em Paúba. Passávamos o fim de semana na casa de uma namorada de meu amigo e colega de trabalho Átila. Ele surfava. Eu não. Só nadava, sossegado, quando percebi que não conseguia mais voltar à praia. Por mais que nadasse ela ficava mais longe. Onde eu estava não era tão fundo, mas não dava mais pé. O fôlego foi acabando, até que resolvi desistir de nadar e fiquei por uns dez eternos minutos boiando e tentando respirar o mais pausadamente possível. De vez em quando olhava pros lados pra ver se me afastava muito ou se havia alguém por perto. Eis que avisto o Átila lá longe, com o peito na prancha. Comecei a gritar e ele me ouviu. Quando chegou já foi dizendo pra eu segurar na prancha. Disse que não estava conseguindo sair dali e ele apenas falou: - você ta brincando!? Não, não estava. Segurei na parte de trás da prancha e fomos nadando e remando até a praia. Estivesse sozinho, babau! O ocorrido da cachoeira foi em Boiçucanga que em tupi significa cobra de cabeça grande. Subimos o Moisés, o Zé e eu a belíssima cachoeira até sua primeira grande queda que forma um poço de uns cinco metros de fundura. Muito bom pra se refrescar e nadar a vontade. Acontece que a queda exercia uma pressão no poço que nos atraía até aquelas fortes pancadas. Mas não era nada de tão perigoso assim, a não ser pelo fato de desconhecermos que o Moisés era um péssimo nadador. Como ele não conseguia se safar da atração da queda foi afundando e girando debaixo d´água. Tentamos com todas as forças puxá-lo para as bordas, até que o Zé, já sem fôlego, saiu da água e eu ainda tentei um último recurso: mergulhava e empurrava seu corpo para cima, na esperança de que ele respirasse e saísse dali. Nisso o Zé já estava gritando desesperado que o Moisés ia morrer. Sem mais uma gota de energia saí às duras penas daquele redemoinho e me juntei ao atônito irmão. Logo depois, avistamos o Moisés, à beira do abismo de rochas, abraçado a um pequeno monólito. Mais dois metros e se estatelaria lá embaixo. Provavelmente nem acharíamos seu corpo. Estava roxo e tremia de bater os dentes. Com muito cuidado, fomos até ele e conseguimos resgatá-lo. Ríamos nervosamente e chorávamos pela sensação de recuperação da vida. A água, nossa razão de existência, sabe ser traiçoeira quando quer. Essas lembranças são ainda do futuro, mas cabíveis aqui, pela infantilidade dos atos. Notem que bastou crescer que a extensão do texto aumentou. Portanto, voltemos à menor época, às aventuras menores.
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