Mudei de idéia, o Infantoterapia terá continuidade mais adiante. Passo agora a reescrever coisas tão ou mais triviais.

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Estou sofrendo de sãopaulite. A doença é antiga, mas só agora diagnosticada. Especialistas da área de saúde acham que é crônico. Falar mau do lugar onde se vive não é lá muito bom, mas a megalocatatônica cidade faz isso com seus distintos munícipes. Melhor seria sofrer de ilhabelite, maceiopraiose, chapadisia, esta se dividindo em diamantemia e guimarãesenite, que são doenças de gente doida. Algumas quintas dou-me ao luxo de me atrasar, causa dos fluxos etanóicos do dia anterior de jogos importantes. Ontem foi importante, mas exdruxulamente ridículo, o que fez com que meus órgãos envolvidos com fluxos clorídricos, enzimas e pepsinas ficassem mais vulneráveis. Saudades de outras cidades. Saudades das férias que acabaram semana passada. Vontade de morrer sentado nesse ônibus. Credo! De jeito nenhum. Viverei pra ir a outros sítios, seja campo ou praia, quente ou frio, aqui ou acolá. Vivemos pra quê, afinal? Cada qual procura saber seu motivo, mas nem sempre se sabe. À noite, tudo se sabe. De dia, nem tanto. Esse tonto papo é pra mostrar que a gente (inclusive você) não para pra pensar que tolice é essa de morar em um lugar matutando o tempo todo em ir a outro. Agora pensando melhor – os fluidos estão se esvaindo – nem deve ser o lugar, mas a situação em si (menor). É um sem-fim de ganhar e pagar, ganhar e pagar. O balanço pode até se equilibrar, mas o problema maior são os créditos e os débitos constantes, fazendo com que esse balanço não pare de balançar. A tábua deve estar firme, porque a corda no pescoço pode ser fatal. E um galho frágil pode te salvar e abrir seus olhos para essa asneira e te mandar pra outro lugar mais fresco, mais humano, com menos gente, mais água e mato, menos esgoto e rato, mais bermuda e menos esporte fino, mais risos e menos carrancas, mais charretes e menos catalisadores, mais cavalos e menos alcoóis e gasolinas e gases e diesel.  Agora tusso pra ouvir o barulho e tento onomatopear a tosse de um jeito que não o tradicional cóf, cóf, que nunca concordei, mas tenho que admitir e me resignar: faltou recursos, seja criativo, seja da própria língua, não da minha, da portuguesa.  Hão de concordar comigo que um atchim é mais compatível e representa com mais precisão o som do espirro. A náusea já passou, mas a vontade de estar em outro local, não. Por isso escrevi. Auto-transportei-me pra não-sei-onde e já me sinto curado.

 

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